O trânsito nosso de cada dia

“Todos os dias quando acordo, não tenho mais o tempo que passou”…E terei menos tempo ainda quando entrar naquele ônibus cheio rumo ao trabalho. Sim, é isso que penso quando acordo. Penso no trânsito que eu vou enfrentar dentro de um ônibus lotado e aproveito pra pensar no que fazer durante esse tempo. Felizmente, normalmente (nem sempre), eu consigo aproveitar esse “tempo perdido” fazendo algo útil, tenho até estratégias: se eu for em pé, posso ir escutando música (faz um bem danado) ou ouvindo minhas aulas de inglês no mp3; caso eu vá sentada, posso ler aquele material do curso ou estudar um pouco mais sobre meio ambiente (ultimamente com foco em engenharia ambiental).

Li um post no Blog Raízes que me fez pensar nessa situação que, creio eu, todos os moradores de grandes cidades estão sendo obrigados a conviver e até contribuindo com ela: os engarrafamento quilométricos, respirando gás carbônico e ouvindo muitas buzinas (a galera já acorda estressada). Isso pra mim está longe de ser qualidade de vida, mesmo se eu estivesse no ar condicionado do meu carro ouvindo minhas músicas prediletas.

No passado (leia-se no início do ano - apenas 9 meses se passaram), eu levava aproximadamente 1 hora da minha casa ao trabalho, piorava um pouco às segundas e sextas, num trecho de mais ou menos 15km. Hoje em dia eu levo 1 hora e meia ou até 2horas, a distância permanece a mesma, a linha de ônibus é a mesma, os ônibus, os motoristas e trocadores são os mesmos, até as pessoas que eu encontro lá dentro são as mesmas. Dedução: tem mais gente na rua, mais veículos. E por que isso está acontecendo?:

  • as pessoas querem conforto: realmente, ficar feito sardinha em lata durante 1 ou 2horas é meio chato;
  • as pessoas estão podendo pagar pelo conforto: com a economia melhorando, agora qualquer R$400,00 ou R$500,00 por mês (e alguns anos a fio e juros e tanto) e a pessoa pode ter um carro - veja aqui como isso é ruim pro seu bolso;
  • as pessoas estão se concentrando em condomínios verticais: no caso de novos empreendimentos, na maioria das vezes, com 2 ou 3 vagas de garagem. De manhã quando todos saem pra trabalhar, adivinhem? Vide o exemplo da cidade de Niterói (diga-se de passagem esta já tinha um trânsito meio chatinho) que está sofrendo um boom imobiliário na sua área nobre, verticalizando pobres casinhas, transformando antigos 5 moradores em atuais 80 moradores. Os reflexos estão no trânsito, na Ponte Rio-Niterói e nos transportes que fazem a travessia pela Baía de Guanabara e na sua e na minha paciência;

Mas, o que fazer?

Vejo algumas opções:

  • Que tal fugir daqui? Ir viver numa cidade menor, mas com mais qualidade de vida. Você realmente precisa viver assim? ok, imagino que essa não é a mais correta, isso é fugir do problema e não resolvê-lo efetivamente. Apesar disso, essa é a que prefiro (Desculpem, mas já é uma questão pessoal).
  • Andar de bicicleta: Mas a cidade não tem infra-estrutura né?! Cadê as ciclovias? Disputar com ônibus, carros e caminhões é difícil, mas as pessoas já andam pensando nessa possibilidade. E tenho certeza que as bicicletas vão ganhar mais espaço daqui pra frente. Projetos não faltam! Veja aqui como pode ser bom.
  • Deixar o carro em casa de vez em quando: Eu sempre disse que nós nos acostumamos com aquilo que queremos nos acostumar. Sei também que conforto é bom, mas será que não dá pra deixar o carro em casa umas 2 vezes por semana e utilizar o transporte público? Procure usar o metrô (se este servir ao seu itinerário) pois você pode até ir esmagado, mas rapidinho você chega lá. Os trens também estão melhorando (aqui pelo Rio de Janeiro) e são rápidos, pois não enfrentam engarrafamentos. Certa vez uma amiga me contou do prazer que sentia quando pegava o trem na Central e ía passando e vendo a Av. Presidente Vargas (toda parada) às 6 horas da tarde. Deve ser incrível mesmo!
  • Praticar a carona solidária: Se você tem um grupo de amigos que moram perto e trabalham em locais próximos de você. Funciona assim: Cada dia um do grupo vai dirigindo e a gasolina é dividida por todos. Dessa maneira o trânsito poderá ser poupado de mais 3 ou 4 quartos e vocês ainda economizam ($$$$) na gasolina. Além disso algumas boas risadas (olha a qualidade de vida) podem ser dadas já de manhã pra começar bem o dia.
  • Trabalhos virtuais: Pra que existe internet? Acredito que as relações de trabalho estão evoluindo e em alguns casos já se pode trabalhar no conforto do nosso lar, sem precisar sair de casa, usando a internet com meio de comunicação. Ainda assim precisaremos sair de casa de quando em vez, mas não precisa ser no horário de pico do trânsito. E se a questão é ver gente, conversar etc etc (sim, eu acho importante) use o final de semana pra isso, vá passear e aproveitar a sua cidade! Outro ponto legal de trabalhar na internet é a flexibilização de horários, ou seja, você sabe suas tarefas para aquele dia certo?! Então nada de enrolação, faça-as! E aproveite o tempo livre pra ver gente, ler um livro, ir na academia ou sei lá o quê.

Acho que é por aí. Espero que entendam a mensagem e possam utilizar as dicas. Você tem alguma idéia? Então divida conosco através do seu comentário e ajude a melhorar a dor de cabeça de milhares de pessoas diariamente (veja bem, é uma utilidade pública).

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  • Posted by Carol Andrade on September 28th, 2008 | Filed in arquitetura, cidades, cotidiano, poluição, sustentabilidade, urbanismo |


    3 Responses to “O trânsito nosso de cada dia”

    1. Alexandre de Sousa Says:

      Gostei muito! Li sobre isso hj tbm…
      Concordo especialmente com a parte de se locomover usando bicicleta e ir pro interior. E trabalhos virtuais, claro :-)

      Sei, sei, não é a toa que estamos juntos nesse pensamento! :)

    2. Clarissa Says:

      Oi Carol. O paulistano perde 18 dias por ano no trânsito, imagine. São mais ou menos 105 minutos por dia nele. Os fatores que vc enumerou são responsáveis pelo aumento dos engarrafamentos sim, fora que são mais de seis milhões de veículos…Faltam soluções inteligentes e tecnológicas dos governantes para resolver o problema. Vamos torcer! Abraços

      Oi Clarissa. Falta também perceberem que o crescimento não pode ser ilimitado, e que estes limites mais cedo ou mais tarde serão impostos a nós. Eu me pergunto: por que São Paulo chegou aonde chegou e porque o Rio está indo pelo mesmo caminho, mesmo tendo um super exemplo de que isso não vai dar certo? A cidade é algo para ser trabalhado em conjunto: pessoas, educação, crescimento, economia, meio ambiente etc. Hoje o que acontece é que o dinheiro sempre pesa mais. Infelizmente.

      Abçs e obrigada!

    3. Compromisso Prefeito e CREA » Arquitetura e Tal Says:

      [...] carta compromisso, elaborada pela CREA, propões soluções para o trânsito, o saneamento, a urbanização e a acessibilidade e foi entregue aos candidatos na quinta-feira, 23 [...]

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