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Arquitetura e Tal – Arquitetura Sustentável

Sobre Favelas


Um assunto ultimamente tem me feito pensar, deve ser pelo fato de estar cursando uma disciplina chamada Projeto de Habitação Popular, onde estamos trabalhando com uma comunidade real no Rio de Janeiro, ou seja, não é mais um devaneio de projeto tão comum no nosso curso.
Somente uma pequena explicação: Utilizo ‘comunidade’ no lugar de ‘favela’, pois me parece que ‘favela’ está saindo de cena e ‘comunidade’ é mais aceitável atualmente, já que a população desses locais está cada vez mais organizada. Mas de qualquer maneira fui procurar no Pai dos Burros (Dicionário Aurélio) e vi que os dois termos podem ser aplicados, pelo menos por enquanto:

Favela: 1.Conjunto de habitações populares toscamente construídas e desprovidas de recursos higiênicos.
Comunidade: 1.Qualidade ou estado do que é comum; comunhão (…) 5.Qualquer grupo social cujos membros habitam uma região determinada, têm um mesmo governo e estão irmanados por uma mesma herança cultural e histórica. Entre outros significados…

Tenho visto o quanto esta é uma situação complicada. A proposta do curso é a regularização e reurbanização do local, já que atualmente a situação de habitabilidade é, em grande parte precária. Acho realmente ótimo podermos ajudarmos as pessoas a terem condições de vida mais dignas, mas será que realmente conseguimos?A resposta pra mim é: “Não sozinhos”. Nós como arquitetos somos parte de um todo, e apesar de nos sentirmos como deuses, devido ao dom da criação, somos uma parte que não é a principal. E qual seria a principal? Mais uma vez minha resposta: A educação. A base de tudo não é a educação? Não é através da educação que aprendemos a viver em sociedade? Não é através da educação que nos posicionamos frente às nossas vidas? Não é através da educação que conseguimos ter oportunidades? A arquitetura influencia sim, assim como o meio, mas ela não tem o poder de educar. Ela não tem o poder de tirar as pessoas da pobreza magicamente, por vezes ela atrapalha ao invés de ajudar.

Vou explicar de maneira genérica: Nós arquitetos planejamos ambientes melhores, mais confortáveis, mais salubres (saudáveis) e os devidos órgãos implantam-nos…Mas a partir daí todas essas pessoas devem ter suas moradias regularizadas e com a infra-estrutura adequada (água, luz, esgoto etc)…Ou seja, as pessoas precisam começar a pagar suas contas. Muitas dessas famílias vivem com muito pouco, por vezes, menos de um salário mínimo. E então, não conseguem se manter nesses locais, já não podem pagar suas contas e acabam saindo dali e indo para um outro local, certamente com condições inferiores de habitabilidade.

Cria-se um círculo vicioso e não se resolve o problema na raiz: A questão é educação, emprego e saúde. Acredito que estamos evoluindo nesse aspecto e já percebemos o quanto é importante essa integração. Agora falta-nos adivinha o que? A INTEGRAÇÃO. As coisas são lentas, mas não estão paradas…Eu vejo profissionais atuando e querendo mudar!

Quem sabe um dia a sociedade vai parar de olhar a favela com rabo de olho, ou parar de ter medo. Quem sabe o dia nossa cidade não estará mais recortada e todos (e não apenas alguns) poderão observar a beleza de nossa multiplicidade, assim como fez O poeta matemático em seu Blog:

Favela
Aquarela
Novela em cima do morro
Janela
Querela
Pátio que esconde o tesouro
Panela
Singela
Flor de lácio que encanta o mouro
Donzela
Portela,
Samba, suor e calor…
E um pouco só de dor
Que só quem ama sabe,
Entoa o canto e diz
Transfiguração de mim
Há ainda muito para ser pensado e discutido, essa é apenas uma mínima parcela desse tema tão complexo. Vamos aos debates!
p.s.: Para quem se interessar no assunto o Blog: Habitação Social – Urbanismo nos atualiza sobre debates e programas em andamento para a área da Habitação Popular, entre outros assuntos.

2 Responses to “Sobre Favelas”

  1. Alexandre de Sousa says:

    Muito bom Carol. Assunto atual, tratado em tom de conversa, e linkando outros blogs.

    Infelizmente o problemas da favelas não depende unicamente e exclusivamente de nós, como vc disse. Nem dos profissionais da arquitetura, nem dos profissionais de segurança pública. Não sozinhos.

  2. Carol Andrade says:

    É isso mesmo Alexandre sozinhos não conseguiremos , apenas vamos tapando o sol com a peneira ou enxugando o gelo, como você diz…Precisamos ter uma união de diversos profissionais atuando juntos na favela e nas suas origens, o que é o mais importante.

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